Pedro Stephan é conhecido fotógrafo e jornalista da imprensa especializada gay no Brasil e no exterior. Seus ensaios foram publicados nas mais importantes revistas internacionais como a francesa “Tetu Magazine”, editada pelo grupo Yves Saint Laurent; nas alemãs “AK Magazine”, “Siegessaeule” e “Du und Ich”; e nas norte-americanas “Circuit Noize”, “FAB” e “La Vida.” E em vários websites do exterior; Portugal Gay, Made in Brazil, Windy City, Mannsbildner entre outros.
No Brasil fotografou e escreveu para todas as mais importantes revistas e websites gays: Mix Brasil, G Magazine, G online, Dom, A Capa e Sui Generis. E ainda para a grande imprensa carioca: Jornal do Brasil e O Globo. Militante do Movimento Homossexual Brasileiro criou o primeiro panfleto anti-violência homofóbica do estado do Rio, nos idos de 1997.
Como fotógrafo contribuiu para importantes trabalhos institucionais tais como os cartazes da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo de 2004 e criou as imagens da Campanha de Prevenção à AIDS organizada pelo Grupo militante Arco-Íris e patrocinada pelo Ministério da Saúde e pela UNESCO.
Em 1997 fez sua primeira exposição “Pra ver a banda Passar” sobre as bandas gays do carnaval carioca: Banda de Ipanema e Banda da Carmen Miranda, no Espaço Cultural Visconde, com curadoria de Marcos Lontra, na época diretor do MAM Rio.
Em 1998 “Pra Ver a banda Passar” foi exposto em São Paulo, na Livraria Futuro Infinito.
O trabalho fotográfico de Stephan ganhou destaque no mundo das artes em 2005 quando participou da “leitura de Portfolio” do FotoRio 2005, (Festival Internacional de Fotografia do Rio), evento onde os renomados fotógrafos, críticos e curadores internacionais avaliam a obra dos fotógrafos brasileiros emergentes. Ali Stephan é elogiado por Pedro Meyer, importante fotógrafo internacional e membro do conselho curador da Eastman House, um dos mais importantes museus de fotografia do mundo, nos U.S.A.
Meyer convida Stephan a expor seu portfolio sobre homocultura brasileira no ZoneZero, famoso website de fotografia contemporânea, acessado por um público de 110 países. Tem ali uma exposição permanente intitulada “Brazilian Homossexual Culture”
Seu ensaio fotográfico “Entre Amigos e Amores, os espaços gls do Rio” teve sua premiére no FotoRio 2007 e foi montado no Espaço Cultural Heloneida Studart, em seguida participou do festival internacional FotoArte 2007 de Brasília, no Centro Cultural Renato Russo.
Em fevereiro de 2008 a obra foi apresentada no FestFotoPoa, Festival de Porto Alegre, e em maio do mesmo ano a exposição voltou ao Rio e ficou dois meses em cartaz com sucesso de público e crítica no Centro Cultural da Justiça Federal, um dos mais importantes salões dedicados à fotografia no Rio e no Brasil onde fica três meses em cartaz com recorde de público.
Em junho de 2008 ano “Entre Amigos e Amores” participou da exposição coletiva sob forma de projeção “Urban Spaces”, no Oi Futuro, Rio de Janeiro e New Life Shop, Berlin. Em setembro de 2008 a exposição ficou dois meses em cartaz no MAC-USP-Ibirapuera de São Paulo, onde Stephan era o único brasileiro a integrar um salão internacional dedicado a essa temática. Stephan foi recebido com boas críticas pela imprensa paulista e sua exposição teve ótima visitação. Por causa disso foi convidado a participar com “Entre Amigos e Amores” do festival de arte “Gay Visible” em Madrid, na Espanha, em 2010.
Stephan é formado em Comunicação-Jornalismo, pela UniverCidade, tem Mestrado em Comunicação e Cultura na ECO da UFRJ, lecionou no MBA em “Linguagem Fotográfica” na Universidade Candido Mendes.
O fotógrafo é considerado pela crítica especializada e acadêmicos como pioneiro na abordagem da homossexualidade na foto brasileira era pós-aids. Vem dedicando seu portfólio exclusivamente a essa temática desde 1995, e sua obra é considerada uma referência no Brasil e no exterior.
Pedro Stephan is a prolific journalist and photographer who has specialized in gay events both in Brazil and abroad. His experiments have been published in major international journals such as the French “Tetu Magazine,” edited by the designer Yves Saint Laurent, the German “AK Magazine”, “Siegessaeule” and “Du und Ich”, and in the U.S. “Circuit Noiz” and “La Vida”, “FAB” among others.
He holds an M.A. in Communication and Culture from the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ).
Stephan has contributed to important institutional work such as posters of the LGBT Pride Parade in Sao Paulo in 2004 and AIDS
Prevention Campaign organized by the militant group Arco-Iris, sponsored by the Ministry of Health and UNESCO.
He currently lectures post-graduate classes in Photography at the Candido Mendes University in Rio is now currently devoting new artistic approaches to examine various aspects of gay culture in Brazil, and of homosexual emancipation, which is perhaps the ultimate civil and democratic achievement of this decade.
Aimé
Versão integral da entrevista concedida
Vila Dois
Versão integral da entrevista concedida
à jornalista Karina Conde do Portal Vila Dois
O fotógrafo Pedro Stephan escolheu como foco de suas lentes as transgêneros da noite boêmia carioca. Ao longo de 3 anos de trabalho no bairro da Lapa, ele registrou inúmeras cenas e escolheu 140 imagens para compor um ensaio que tem como personagem principal, a travesti Luana Muniz.
“Luana é a poderosa chefona das “bonecas” da Lapa, uma versão contemporânea do histórico malandro Madame Satã, que reinou no bairro nos anos 40. Esse ensaio artístico rompe um tabu revelando as personalidades do basfond carioca”, conta Pedro.
O olhar condescendente e humano para a realidade das travestis, revela também os momentos em que param para descansar, beber um refrigerante, retocar a maquiagem ou apenas bater-papo. Segundo o fotógrafo e crítico Marcos Bonisson, o transgênero é um tema praticamente inexplorado na fotografia brasileira, mais por tabu, do que por fascínio. “A câmera revela a zona oculta de um mundo à parte, que sabemos existir, mas pouco se conhece a não ser pelo filtro da rejeição, do preconceito e da piada travestida de medo”, analisa Bonisson.
Pedro Stephan, que recentemente participou do FotoRio 2009 – Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro, concedeu uma entrevista ao Vila Dois, contando sobre seu trabalho:
Por que o tema “travestis da Lapa”?
Porque a Lapa tem uma história na boêmia brasileira e carioca. Desde o iníco do século XX lá se concentravam os cabarés e nightclubes, que eram frequentados pela classe artística e pessoas do basfond, então é uma tradição. Por ali passaram Noel Rosa , Ary Barroso, Aracy de Almeida, todos os grandes nomes da música popular, pois nos cabarés havia música, garotas e… transgêneros. Foi lá que o famoso malandro Madame Satã se transformou num mito, ao enfrentar sozinho a polícia homofóbica da ditadura Vargas. Além disso, a Lapa é uma cenário estupendo pra qualquer fotógrafo: os arcos centenários, o casario, as pessoas, a luz noturna, e a atmosfera, algo indescritível e impalpável que está ali, uma energia que acho que consegui captar e colocar nas fotos.
Quando começou a acompanhar a vida dessa travesti?
Sou jornalista de formação e comecei apenas escrevendo. Como trabalhava para imprensa gay que é pequena, podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo:escrever e fotografar, coisa que faço até hoje. E uma vez fiz uma pauta de texto e foto para um site gay sobre a Turma Ok, que foi o primeiro clube gay brasileiro, fundado em 1964. Lá conheci a Luana, que se apresentava nos shows de dublagens.
Quando fui fotografar o camarim pra minha exposição “Entre Amigos e Amores, os espaços gls do Rio” eu estava no camarim fotografando, ela chegou, roubou totalmente a cena, e esqueci dos outros e fiquei fotografando apenas ela. Quando vi o resultado decidi que tentaria fazer um trabalho só com ela.
O que a diferencia das outras?
Ela tem quase 40 anos de travestismo e prostituição, não morreu de Aids, não foi morta, não está presa, não se afundou nas drogas, saiu de casa jovem como toda transgênero porque a família não aceitava, mas está aí como líder comunitária porque sabe negociar, é organizada, sabe lidar com suas afilhadas: as protege e cuida delas, e tem um bom relacionamento com seus clientes. Além disso, ajuda as pessoas do bairro, é articulada e inteligente. Poderia dizer que ela…venceu. Ainda que seja no basfond.
Ela é empresária do quê?
Ela tem uma lojinha de roupa que aparece na foto ao fundo, e se tornou sócia da Turma Ok. Além disso é presidente de uma associação de trangêneros.
O que mais o deixou chocado nas suas peregrinações? Violência? Drogas?
Não vi nada que tenha me deixado chocado. As transgêneros que ficam na área da Luana não se drogam, e se alguma começa a fazer isso e se afunda nas drogas ela a interna pra uma desintoxicação! rssss Também não tem violência ali por causa da Luana, que é chamada de “Síndica da Lapa”. Pensando bem, a única coisa que me chocou foi o fato de, como a Lapa está super na moda, o público burguesinho que nunca veio para estes lados. passava por ali e fazia caras e bocas Davam risinhos e falavam coisas idiotas, como se elas fossem seres de outro planeta. E quando eu estava tranquilamente conversando com elas ali nas calçadas, sempre passavam fazendo uma cara maliciosa de “ih ele vai pegar essa travesti”. Isso sim me chocou de ver como as pessoas “comuns” são tão tacanhas no seu sacrossanto preconceito.
Há uma intenção de derrubar tabus com as suas fotos?
Há o desejo de enfrentar esses tabus, o primeiro tabu é o da fotografia brasileira, onde só aparece travesti atrás das grades ou aqueles das páginas policiais. Quando não é isso são as estrelas trans dos palcos gays. Mas essas que fazem sua performance diária ali na pista são ignoradas e mal vistas. O segundo é um olhar tolerante, benevolente que eu lanço sobre o trottoir transgênero mostrando: a sensualidade, a fantasia das trans que passam o dia inteiro bolando e criando o figurino, a make up, e a pose com que vão fazer na sua performance noturna nas calçadas.
E ainda mostro o lado off da coisa: elas param pra estivar as pernas cansadas de tanto ficar sobre saltos altos, tomar rerigerante, bater-papo. São seres humanos como outros quaisquer. Podem ser gentis, simpáticas, amáveis com qualquer pessoa e carinhosas com seus clientes. Temos que respeitar a diversidade e aqueles que são diferentes de nós. E ter tolerância com certas coisas que nem são completamente boas, nem totalmente más como a prostituição, a profissão mais velha do mundo. Nem tudo está dentro do registro do certo/errado, bem/mal, ruim/bom, as coisas são relativas. Sem isso jamais conseguiremos construir uma sociedade verdadeiramente democrática. / Por Karina Conde
Portal A Capa
Versão integral da entrevista concedidaao Portal A Capa
O “Turin Photo Festival”, um dos festivais mais importantes de fotografia mundial que começa em dezembro na cidade italiana, terá a presença de um brasileiro: Pedro Stephan será o único fotógrafo a apresentar um ensaio com a temática LGBT.
“Luana Muniz, a Rainha da Lapa” ficará em cartaz até outubro do ano que vem no Centro Cultural Antiga Manufatura de Tabaco. O ensaio, que estreou no FotoRio 2009 e atraiu um público de mais de 3 mil pessoas, traz imagens fortes e impactantes da travesti conhecida por chefiar as transgêneros que circulam à noite no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro.
Luana ficou conhecida do grande público por causa do bordão “Tá pensando que travesti é bagunça?”, que se popularizou após sua aparição em uma reportagem de TV. Conhecida como a “nova Madame Satã” – em referência ao malandro homossexual carioca -, Luana é também empresária e produtora cultural. Durante três anos, a travesti virou personagem para as lentes de Pedro Stephan, que reuniu cerca de 140 imagens para a exposição.
Esta será a segunda vez no ano que o fotógrafo brasileiro expõe seu trabalho na Europa. Em julho, o ensaio “Entre Amigos & Amores – espaços de socialização GLS do Rio”, que apresenta a diversidades dos points gays, ficou em cartaz em Madri, na Espanha.
Na entrevista que você confere a seguir, Pedro Stephan fala de suas expectativas para a mostra em Turim e revela seu desejo de transformar seu último ensaio em uma mostra nacional, desvendando os espaços LGBT do interior e das grandes cidades.
Esta será sua segunda exposição na Europa este ano. Como foi a receptividade do público na mostra passada e qual é a sua expectativa para esta em Turim?
O resultado da minha exposição em Madri foi inesperado. Produzi o melhor que pude, caprichei, mas sem grandes expectativas. No dia do vernissage foi o povo convidado do festival, e pensei: “Bom, amanhã não vem ninguém, vou aproveitar e visitar o Museu do Prado.”
Então fui à galeria de manhã, logo que abriu, para deixar mais uns convites/flyers e ver se estava tudo OK, e quando cheguei lá havia umas 5 pessoas vendo a exposição.
Quando vi eram 20h30 e eu nem havia tomado café da manhã, acho que foram umas 70 pessoas naquele dia. É claro que no meio disso tudo, corri para o hotel que ficava ali do lado, peguei a máquina fotográfica para registrar (porque se eu contasse ninguém iria acreditar) e ainda fui numa loja e comprei um caderno para o pessoal assinar.
Fiquei mais 3 dias em Madri e em todos eles a galeria encheu. No último dia me atrasei para o vôo, porque as pessoas chegavam à galeria e eu não conseguia ir embora, mas é claro: ficava babando de felicidade de ver aquele público lá. Fui olhar o caderno que havia deixado sobre a mesa e havia umas 17 páginas assinadas. A delicadeza do “Entre Amigos e Amores” emocionava as pessoas exatamente como aconteceu aqui no Brasil em todas as vezes que foi exibido. Honestamente, não achava jamais que isso iria acontecer.
Quanto a Turim, idem: faço a minha parte sem expectativa alguma. Meu trabalho tem integridade: fiquei 3 anos lá [na Lapa, no Rio], sozinho, sem ninguém me bancar, indo e vindo nas madrugadas e algumas pessoas ainda riam de mim, por fotografar Luana e suas colegas. Isso já me basta.
Com a exposição “Luana Muniz, a Rainha da Lapa” você será o único brasileiro a integrar a programação da mostra. Qual é a importância para a cultura LGBT brasileira?
O Festival de Turim este ano homenageia a foto brasileira e selecionou alguns fotógrafos para exibirem seus trabalhos. Vão grandes nomes da foto brasileira e alguns fotógrafos emergentes, euzinho que não sou ninguém estou entre os emergentes. Fui incluído porque os diretores do festival viram a “Luana, Rainha da Lapa” no FotoRio 2009 e gostaram bastante. Lá, sou o único fotógrafo brasileiro abordando a temática LGBT.
Estou levando para o exterior um olhar, uma representação fotográfica sobre a comunidade homossexual brasileira. Nós temos questões que são tipicamente nossas, costumes, ritos, estilo de vida e uma diversidade e pluralidade que só existem aqui. Porque somos mestiços, temos sincretismo religioso, cultural e humano, criamos um tempero nosso, uma maneira de pegar o que vem de fora e recriar à nossa maneira. Isso é o que temos de melhor, e minha obra é toda voltada para isso, valoriza e enfatiza essa questão.
Por ser um tema forte e polêmico – uma travesti que comanda a prostituição na Lapa – você teme uma repercussão negativa ao seu trabalho?
Temia muito isso no FotoRio 2009, mas foi um sucesso. As pessoas têm uma imensa curiosidade sobre o tema e achavam que iriam ver mais uma coisa trash sobre travestis. Mas quando chegavam lá e viam delicadeza, humor, sensualidade e humanização daquilo que consideravam monstruoso, ficavam encantadas.
Minha posição em relação à prostituição transgênero é a mesma que a ONG Daspu propõe sobre o tema: não há como acabar com a prostituição. Então vamos humanizá-la, vamos tornar isso uma profissão mesmo, com carteirinha de identidade, com possibilidade de pagar INSS e se aposentar. E ainda mais: reconhecer que elas prestam um serviço para a sociedade, podem dar carinho para os clientes, podem satisfazer a sede de sexo e contato físico que muitos têm e precisam saciar, porque sexo é uma coisa muito importante na nossa vida.
Essa rejeição à prostituição tem um fundo religioso e moralista. Os cafetões se alimentam exatamente da marginalização dessas pessoas e da repressão. A partir do momento que forem incorporadas à sociedade, tiverem seus direitos reconhecidos e sua atuação for tida como profissão, o poder dos que abusam delas vai diminuir ou até acabar.
Qual era seu objetivo quando resolveu retratar Luana Muniz? Em quais aspectos da vida das travestis você quis focar?
Conheço bem o repertório de abordagem em foto e vídeo da temática transgênero nas galerias e nos festivais de arte, e é sempre a mesma: ou a vida privada delas, ou então o erotismo.
Fui para o outro lado, quis mostrar aquilo que vemos todas as noites, ficamos curiosos com aquele movimento, mas nunca é representado sob forma fotográfica: o trottoir, a pista, que para mim é uma performance, um balé de sedução. E elas passam o dia inteiro se preparando para aquele momento. Quis revelar o vai-e-vem sutil, a atmosfera exótica e sensual criada pelas luzes artificiais do cenário noturno da Lapa, que tem a tradição do sexo, da prostituição, do fetichismo. Luana é um ícone daquele lugar, faz parte daquela paisagem.
Ela gosta de se prostituir e de se exibir, e a personagem que ela criou é uma encarnação da mulher-gato do Batman: uma badgirl, sedutora, sensual e… perigosa. E esse “perigo” é que dá tesão nos homens.
Qual é o papel do fotodocumentarismo hoje em dia, principalmente em relação às populações mais marginalizadas? Arte é moeda corrente, ela desfaz os preconceitos revelando o outro lado das coisas, angaria a simpatia e solidariedade do público em relação a coisas tidas como malditas. E apresenta questões tabu das quais a sociedade se esquiva, ou finge que não existem.
Você já tem algum novo projeto em mente?
Sempre quis fazer uma versão do “Entre Amigos e Amores” nacional, fotografando os espaços LGBT (e consequentemente as pessoas, a cultura e o estilo de vida) de alguns dos mais importantes centros urbanos, e em lugares do interior onde essa comunidade existe, produz cultura e resiste ao preconceito.
Diariamente vejo notícias de paradas gays nos locais mais distantes e diversos do Brasil, sei que o governo apoia financeiramente esses eventos, investe nisso. Mas não existe uma representação sob forma de imagem feita de uma maneira sistemática, organizada, e com valor artístico, dessa imensa revolução comportamental que estamos vivendo em 2 mil anos de história da civilização ocidental e de 500 anos de história do Brasil.
Tenho experiência nesse métier, minha história de vida está ligada a isso, desde as primeiras paradas, encontros da militância, e dos primeiros passos da imprensa gay da era pós-Aids eu estava lá: fotografando e escrevendo, e sou reconhecido pelo meu trabalho. Então acho que eu merecia ter apoio logístico e financeiro para produzir, e que a comunidade LGBT do Brasil merecia ter essa obra. Pra nos vermos, pra sociedade nos ver, pra outras culturas nos conhecerem, e para ficar pra posteridade. Esse é o meu grande projeto.